Hoje sonhei com os meninos, sem saber como eles se parecem hoje em dia, o quanto eles já cresceram.
Sonhei em como eramos amigos, na confiança mútua que existia entre nós, junto de uma admiração genuína.
Gosto de pensar que alguns sonhos são uma amostra grátis de uma realidade alternativa que a gente não conseguiu viver nessa experiência limitada que temos aqui.
Eu esqueço muitos rostos, cheiros, tons de vozes e maneirismo, mas nunca esqueci dos seus.
Parece que existe um tanto de nós dois gravados em todas as vidas passadas e alternativas que permeiam essa nossa existência atual.
Me vejo pela primeira vez na minha vida sem expectativas, sem pesos pendentes, sem despedidas guardadas. Mas mesmo nesse vácuo ainda existe algo que não precisa de nada pálpavel pra continuar existindo.
Não digo isso com saudades ou com intenções, digo porque existe em mim e tudo que existe de uma maneira muito vívida em mim, em algum momento pede pra sair.
Sair seja em lágrimas, em gritos, em palavras escritas ou gestos efêmeros.
Tudo isso passa, não é mesmo? As coisas boas passam. As coisas ruins vão passar também.
Tem uma música do bidê ou balde que eu gosto muito que diz que "é sempre amor, mesmo que mude".
Como uma das leis mais primordiais da natureza, eu também acredito que no âmbito não pálpavel dos nossos sentimentos que nada se cria, nada se destrói, tudo se transforma.
E é mesmo amor mesmo que acabe.
Apesar dos erros me orgulho dos pedaços da minha trajetória que se cruzaram com a sua, e hoje isso se reflete numa paz leve.
Não mais saudade.
Não mais decepção.
Não mais a figura desenhada de um coração partido que sempre sangra.
Pela primeira vez na vida vivo sem expectativas, sem desejos, sem arrependimentos e sem pesos.
E é estranho viver assim.
Escrever ajuda. E aqui virou um lugar onde minha criança escreve, como sempre foi.
E poucas pessoas conhecem essa criança. Até eu mesmo as vezes esqueço do jeito que ela ri e chora.
Mas acho que essa é a vida né?! Acho que nem todo mundo faz questão de continuar vivendo sem esquecer de quem foi.
E eu não esqueço de quem eu fui, por mais que não me reconheça mais nessa imagem.
Por mais que não sei quem sou agora e quem serei.
Por mais que eu não me reconheça no espelho.
Há certas coisas que eu nunca esquecerei.
E as vozes, as risadas, as brincadeiras, as dúvidas genuínas e as vezes que senti o amor puro dos meninos é algo que nunca esquecerei.
Obrigado.
sexta-feira, 25 de setembro de 2026
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